O Portal

O nome deste Portal – “O outro lado da moeda” – faz menção a um fato bíblico ocorrido com Jesus, inserido nos Evangelhos, mais precisamente no livro de Marcos 12:14-17 (textos correlatos em MT. 22:17 e Lc. 20:22), assim transcrito: “Chegando, disseram-lhe: Mestre, sabemos que és verdadeiro e não te importas com quem quer que seja, porque não olhas a aparência dos homens; antes, segundo a verdade, ensinas o caminho de Deus; é lícito pagar tributo a César ou não? Devemos ou não devemos pagar? Mas Jesus, percebendo-lhes a hipocrisia, respondeu: Por que me experimentais? Trazei-me um denário para que eu o veja. E eles lho trouxeram. Perguntou-lhes: De quem é esta efígie e inscrição? Responderam: De César. Disse-lhes, então, Jesus:Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. E muito se admiraram dele.”

No texto correlato de Mateus 22:15-22, o apóstolo informa que os Fariseus, primeiramente “retirando-se, consultaram entre si como surpreender Jesus de alguma forma”. Depois de preparada e armadilha, enviaram-lhe os seus discípulos, com os Herodianos, para fazerem a maliciosa pergunta.

O termo Herodiano é relacionado ao rei dos Judeus, Herodes, o Grande, e designa todos os personagens históricos que tinham laços consaguíneos com ele. Eles defendiam a ideia de que os melhores interesses do judaísmo estavam na cooperação com os romanos. Herodes, o Grande, procurou romanizar a Palestina em sua época, daí alguns definirem os Herodianos mais como um partido político, que uma seita religiosa. Herodes, o grande, foi designado rei da Judeia pelo Senado Romano 40 a.C e foi ele mesmo que mandou matar todos os membros da família real dos Macabeus, sua mulher Mariane e seus dois filhos, e todos os meninos com menos de dois anos de idade, na cidade de Belém, quando Jesus nasceu.

Já os Fariseus eram os descendentes espirituais dos judeus piedosos, que haviam lutado contra os helenistas no tempo dos Macabeus. A denominação fariseu” significa “separatista” e foi, provavelmente, dada a eles por seus inimigos, indicando a personalidade não conformista. Todavia, outra versão diz que tal nome foi utilizado como forma de escárnio, em razão da severidade que os separavam dos demais compatriotas judeus. Nesse contexto, diz-se que “lealdade à verdade às vezes produz orgulho e até mesmo hipocrisia” e foi justamente esse aspecto das perversões farisaicas que Jesus abominou.

No texto bíblico citado, vê-se que os Fariseus (religiosos da época) tinham a nítida intenção de jogar Jesus contra o povo ou contra o Imperador César. Se Jesus dissesse que o povo estava sujeito aos impostos, o povo oprimido ficaria contra Ele e, se Jesus dissesse que os impostos eram injustos, estaria contrariando os interesses do Império Romano e, certamente, seria preso naquele momento. Foi essa a armadilha que os Fariseusengendraram para tentar matar Jesus. Mas Ele, conhecendo suas intenções, respondeu de uma forma inesperada, primeiramente fazendo uma pergunta e, a seguir, uma afirmação.

O referencial histórico na época de Jesus era a opressão política romana, simbolizada por Herodes, bem como as expressões religiosas insertas nas reações sectárias dentro do judaísmo pré-cristão. Nesse contexto, as frustrações, a opressão, os conflitos políticos e religiosos prepararam Israel para o advento do Messias de Deus, que o apóstolo Paulo afirma que veio na “plenitude do tempo” (Gl 4.4).

Os Fariseus consideravam-se legítimos cumpridores da Lei e, dentre eles, havia uma facção com cerca de 6.000 adeptos, liderada por Judas (o Galileu), que não reconhecia a autoridade, quer de Herodes, quer de César. Tinham por lema “Somente o Senhor é Rei”, portanto, pagar impostos ao Imperador significava aceitar a sua divindade, ou seja, era ato de idolatria, inadmissível para um “cumpridor da lei”. O mais interessante foi que os dois grupos antagônicos (Fariseus e Herodianos) se uniram contra Jesus. Isso seria, atualmente, vislumbrar que o grupo palestino extremista Hamas e os Israelenses se unissem para lutar contra um inimigo comum.

Nesse contexto, Jesus encerra tudo quanto está relacionado a Deus e ao Mundo. Ao dizer “Dai a César” significa dizer, implicitamente, que devemos cumprir nossos deveres como cidadãos, inclusive impostos, de forma que podemos dizer que o imposto é um bem comum implantado por Deus, mas quem o usa em proveito próprio de modo criminoso será duramente responsabilizado. Quando Jesus diz “e a Deus o que é de Deus” implica a observância dos ensinamentos do Mestre, significa nosso dever como servos do Deus Altíssimo. Jesus expõe a total incompatibilidade entre “o ser e o ter”, do ponto de vista deste mundo e o mesmo aspecto do ponto de vista do reino dos céus. A mensagem subliminar de Jesus é que, aos deste mundo, dê o que lhes pertence, pois aqui se paga para“ser” e “ter”, mas aos que visam a uma vida além-mundo, saiba que o Senhor Deus é dono de tudo e a dívida do homem com Deus já foi paga. Quem crê é livre do “tributo”, portanto pague o que é devido aos do mundo, pois o preço do pecado que afasta o homem de Deus já foi pago na cruz do calvário por Seu Próprio Filho.

Assim, o nome deste Portal implica a busca incessante da observação daquilo que, muitas vezes, em um primeiro momento, assume um caráter meramente dialético, resultado de pensamentos viciados e inoculados pelo “partidarismo” ou pela “parcialidade radical”. Digo radical, porque todos nós, mesmo inconscientemente, tomamos partido com nossas opiniões, mas a busca deve ser sempre pelo equilíbrio necessário para não invalidarmos os pensamentos.

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