O dólar se manteve volátil nesta terça-feira, 4, oscilando entre a mínima de R$ 4,1383 (-0,30%) e a máxima de R$ 4,1938 (+1,04%), mas na etapa vespertina manteve-se perto da estabilidade, mesmo com a alta generalizada da moeda americana no exterior. Prossegue a pressão sobre as divisas emergentes, diante da crise argentina, enquanto, no cenário doméstico, persiste a cautela com a eleição presidencial de outubro, com o mercado à espera da pesquisa Ibope/Estadão/TV Globo que deverá ser divulgada nesta noite.

A moeda americana à vista fechou em leve alta de 0,04%, a R$ 4,1521. O giro financeiro foi de US$ 666,583 milhões. “A volatilidade implícita do dólar está muito alta, a crise argentina aumentou a aversão a moedas emergentes e, aqui no Brasil, a dinâmica eleitoral está assustando o mercado”, afirmou Pablo Spyer, diretor da Mirae Corretora.

De acordo com Alessandro Faganello, operador da Advanced Corretora, o mercado ficou distorcido na segunda-feira, quando foi feriado nos EUA, com liquidez bastante baixa e alta de mais de 2% do dólar frente ao real. “Como houve essa distorção, o mercado hoje oscilou menos, como uma espécie de correção”, explicou Faganello.

“Contribuiu ainda para a desaceleração do dólar a notícia de que Haddad foi denunciado pelo Ministério Público”, acrescentou Faganello. O ex-prefeito Fernando Haddad, provável candidato a presidente da República pelo PT, foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e quadrilha. A acusação da Promotoria é um novo desdobramento da investigação envolvendo a UTC Engenharia, de Ricardo Pessoa, que teria pago uma dívida de R$ 2,6 milhões da campanha de 2012 à Prefeitura com recursos de caixa 2. Via assessoria, Haddad respondeu que “surpreende que, no período eleitoral, uma narrativa do empresário Ricardo Pessoa, da UTC, sem qualquer prova, fundamente três ações” propostas pelo MP-SP.

No campo externo, esta terça foi mais um dia de perdas para moedas fortes e emergentes ante o dólar, com as expectativas de aumento dos juros nos EUA na reunião do Federal Reserve (Fed) no fim do mês e volta dos temores de que a guerra comercial liderada por Washington prejudique o crescimento global.

O peso argentino fechou em baixa de 0,91%, após ter caído mais de 3% durante a sessão. A desaceleração da queda ocorreu após o Banco Central da República Argentina ter realizado dois leilões para conter a forte depreciação da moeda, sendo US$ 100 milhões no primeiro, tomado integralmente pelo mercado, e US$ 400 milhões no segundo. Neste último, o mercado tomou US$ 258 milhões. Representantes do governo argentino estão em Washington para negociar com o Fundo Monetário Internacional (FMI) os termos do socorro financeiro.

Estadão Conteúdo

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