O Ibovespa reagiu com um movimento contido de perdas ao rebaixamento da nota de crédito do Brasil. Além dos bons ventos externos, que parecem se perpetuar neste mês de janeiro, pesou favoravelmente nesta sexta-feira, 12, a força das ações de Petrobras e Vale, empresas que escaparam da má avaliação da S&P Global Ratings.

Prova de que o reflexo foi ameno, conforme já projetavam analistas ouvidos na quinta à noite pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, o índice à vista fechou praticamente estável em queda de 0,02%, mantendo o suporte dos 79 mil pontos, aos 79.349,11 pontos. E ainda encerrou a semana com ganhos de 0,35%.

O giro financeiro, de R$ 9,2 bilhões, foi alto para a média de meses de janeiro.

“Hoje se a bolsa caísse 1,5% justificaria fácil porque, apesar de ter suportado muito bem durante boa parte do dia, a notícia sobre o rebaixamento não é nada favorável”, disse Marco Tulli Siqueira, gestor de renda variável da Coinvalores.

Durante o pregão, os papéis de Vale e Petrobras sustentaram alta, impedindo que o índice à vista aprofundasse as perdas. Segundo Siqueira, dois motivos contribuíram para esse suporte: o fluxo de recursos de investidores não-residentes, que já ingressaram com R$ 2,7 bilhões na B3 no acumulado de dez pregões, e o fato de a S&P não ter rebaixado as notas das duas companhias na esteira do downgrade soberano.

No setor financeiro ocorreu justamente o contrário. As ações dos bancos foram penalizadas de maneira generalizada uma vez que seus ratings foram reclassificados para baixo. Mas, ao final do pregão, apresentaram sinais mistos, com Banco do Brasil em alta de 0,23%, ItauUnibanco cedendo 0,09%%, Bradesco estável e as ‘units’ do Santander recuando 0,49%.

Para Roberto Indech, analista-chefe da Rico Investimentos, muito embora o mercado sempre repercuta com volatilidade as incertezas que envolvem a situação do País, neste momento, economia e política estão praticamente desconectadas. “Hoje vivemos um cenário de incertezas no campo político, mas, no econômico, estamos com crescimento contratado, inflação baixa e juros em queda”, disse. “Além disso, uma série de circunstâncias no ambiente global, que está bastante favorável, traz otimismo e tem impulsionado a bolsa aqui.”

Segundo ele, as incertezas que rondam o mercado agora estão bastante relacionadas ao que ocorrerá ao processo eleitoral brasileiro após o julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dia 24 próximo.

Estadão Conteúdo

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