O advogado Wilson Justo Filho morreu após ser atingido por tiros disparados pelo delegado Gustavo Sotero, plantonista do 1o Distrito Integrado de Polícia.

Wilson Justo Filho, conhecido como Wilsinho, era presidente do PR de Novo Airão. A esposa dele, identificada como Fabiola Rodrigues Pinto de Oliveira, de 31 anos, também foi baleada, mas segundo a Polícia Civil já teve alta. Outras duas pessoas também ficaram feridas mas já foram liberadas.

O crime ocorreu por volta das 3h deste sábado (25/11). Informações de testemunhas dão conta de que o delegado estava assediando a esposa do advogado. Os dois tiveram um desentendimento e o delegado efetuou os disparos à queima-roupa. Ele acertou o peito de Wilson Justo e a esposa dele foi baleada na perna.

Uma viatura da Polícia Militar passava pela área do Porão e avistou a confusão. Os policiais pararam no local e efetuaram a prisão do delegado, que não ofereceu resistência segundo o registro da ocorrência. Ele portava uma pistola Taurus .40.

Além de advogado e político, Wilsinho também era praticante de rugby. Ele deixa duas filhas.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Amazonas, Marco Aurélio Choy, afirmou que a instituição vai acompanhar de perto o caso. “A morte desse valoroso colega advogado não ficará impune”, afirmou.

O ex-deputado Marcelo Ramos, que é do mesmo partido de Wilson, lamentou a morte do advogado, de quem era amigo pessoal. “O Wilson era um amigo querido e um companheiro leal, presidente do PR em Novo Airão. Estamos muito consternados pela dor da família e dos amigos. Esperamos que um crime praticado por um agente do estado não fique impune”.

Gustavo Sotero, que foi preso em flagrante e indiciado por homicídio doloso e lesão corporal, conforme a Polícia Civil, já se envolveu em uma confusão de trânsito e foi parar na delegacia. Após um acidente, ele se negou a fazer o teste do bafômetro. A polícia chegou a investigar o caso, mas nada ficou comprovado.

Na ocasião, Sotero teria colidido o seu veículo de modelo Gol, cor vermelha, no carro do representante comercial Eduardo Cintrão, sobrinho de um agente da Polícia Federal.

Em depoimento, Cintrão afirmou que o delegado estava com visíveis sinais de embriaguez, e ao tentar negociar o prejuízo do acidente, Sotero teria se alterado. Em seguida, Cintrão acionou uma viatura da Polícia Militar para tentar contê-lo. De acordo com o delegado do 19º Distrito, Maurício Ramos, foi necessário algemar Sotero, pois segundo ele, o mesmo tentou intimidá-los mostrando um revólver.

Com a chegada da polícia, o delegado se recusou a fazer o exame do bafômetro e foi autuado em flagrante por embriaguez ao volante

No dia 14 de fevereiro de 2014, o Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado do Amazonas (Sindepol) se pronunciou sobre o caso. O órgão informou que “feitas as devidas ponderações sobre a desnecessidade de se solucionar questões cíveis no âmbito de delegacias, policiais militares passaram a imputar o delito de embriaguez ao volante a Autoridade Policial” .

O Sindepol também afirmou que “imagens registradas dão conta que o Delegado Gustavo Sotero mantinha calma e não demonstrava qualquer ato que pudesse atentar contra a ordem pública ou que ensejasse a ordem de prisão da forma como equivocadamente se deu”.

Seguem imagens sobre o incidente anterior:

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