Por Eliésio Marubo*

Não poderia deixar passar o respingo do post anterior (http://goo.gl/EuXOu4) que menciona dois grandes movimentos políticos nocivos aos interesses indígenas.

A bancada Ruralistas e a conhecida bancada “evangélica”.  Ambas, tem pautado os últimos governos com temas de seus interesses, que naturalmente, são contrários aos interesses dos povos indígenas.

A bancada ruralista, por uma questão muito clara, que é a disputa por terra, se opõe aos interesses indigenas na medida em que busca impedir a demarcação de novas terras naqueles centros urbanos em que atuam explorando economicamente o solo. A notícia mais dramática nesse sentido, tem sido a comovente história dos parentes Guarini Kaiowá –  http://goo.gl/2OPuF5.

Nos últimos treze anos, o movimento indígena brasileiro perdeu grandes lideranças indígenas, cujos povos atribuem assassinatos, esbulhos e muitas arbitrariedades aos produtores rurais de regiões conflituosas.

Por sua vez, tais produtores como grupo organizado, detendo forte poder econômico, nos moldes das brigas de classes que a história aponta, criaram um verdadeiro muro político que impede o avanço das políticas públicas de interesse indígena.

No governo do presidente Lula e Dilma a interferência foi tamanha que atingiu o marco histórico como sendo o pior governo para os povos indígenas. Essa análise, realizada por grandes associações indígenas no Brasil, não é feita considerando somente inação ou omissão do governo federal nos ultimos anos; considera também o empoderamento das classes políticas dominantes onde justamente está a bancada ruralista e outros seguimentos.

O reflexo de tamanho empoderamento está no fortalecimento de grandes lideranças políticas desse seguimento, como os Senadores Blairo Maggi (importante para LULA), Kátia Abreu (amiga pessoal de Dilma) e tantos outros que ocuparam cargos políticos de destaque justamente no governo que supostamente teve o apoio dos movimento sociais e se vagloriava de atuar “em nome do pobre, do índio e do trabalhador”.

Na contramão de tamanho sucesso ruralista, o movimento indígena em nada pode avançar nos últimos treze anos de dinastia petista. Pelo contrário, retrocedemos na política indigenista de administração das terras demarcadas, não avançamos na discussão nacional de reformulação do “estatuto dos povos indígenas”, tivemos o sucateamento da política de educação escolar especial indígena – com a desvalorização das escolas e esvaziamento das comunidades por parte da juventude, que viu nos programas assistencialistas formas de sobreviver nas periferias urbanas –, sofremos com a politização do subsistema de saúde indígena – que é outro delito à parte.

Por todo o exposto, a bancada ruralista, como movimento político composto por ímpios, tem cumprido seu papel e seus objetivos tem sido alcançados.

A bancada autointitulada “evangélica” é um xiste à parte, seus membros tem processos em andamento por diversas traquinagens que variam de improbidade à formação de quadrilha, assim como também ocorre com os membros da bancada ruralista. No entanto, a parceria entre a ambas tem rendido os frutos que os alimentam, e isso basta.

Acontece que os objetivos do cristão verdadeiro, não se coadunam com os princípios da bancada evangélica. E nem poderia, pois a ideia do crente ocupar um lugar no parlamento era justamente para combater a injustiça e atuar contrariamente a tudo aquilo que a sociedade cansa de assistir. Os povos indígenas, ainda sofrem com o ranço da dolosa  relação com os “missionários” católicos, e agora tendo uma oposição política ferrenha à sua sobrevivência, que é composta também por políticos “evangélicos”, não ajuda em nada o entendimento dos princípios cristãos e a intenção da religião de alcançá-los.

A propositura da PEC 215 como marco do preciosismo evangélico-ruralista, de forma bem esdrúxula, tenta se construir com a rapinagem e mal informação típica do mundo político, até agora só acumulou retrocessos para o missionário atuante no campo, pois tem despertado cada vez mais o ódio contra evangélicos que buscam realizar aquilo que a verdade lhe incube ide por toda a terra e pregai o evangelho  puramente simples.

A relação dos povos indígenas com a religião externa tem sido tudo o que os dizeres bíblicos proíbem. Já até publiquei, em junho de 2011, um post falando do mesmo tema (http://goo.gl/qP7AaU) e isso em nada contribuiu para o trabalho ainda em plantio no campo, por missionários que atendem ao chamado.

Há uns dias atrás, conversando com um parente do alto rio Curuçá, aqui no Amazonas, ele disse que odeia crente por tudo que fizeram, atribuindo aos que tentaram contato no passado, e de forma desastrosa, assim como a bancada “evangelíca” está fazendo, deturpando a principiologia e a verdade do cristianismo.

A questão que indaga é: como movimento cristão, possuidor de espaço político de destaque, o povo evangélico no Brasil realmente é representado pela bancada “evangélica” no parlamento brasileiro?

Como movimento político, composto por pessoas “salvas”,  a bancada “evangélica” tem alcançado seus objetivos e tem atuado para alcançar os perdidos?

Para os leigos, ambos os movimentos são antagônicos. No entanto, a realidade nos faz despertar para retomarmos o direcionamento e a razão perdidos.

Advogado e líder indígena Eliésio Marubo
Advogado e líder indígena Eliésio Marubo
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1 COMENTÁRIO

  1. Por favor, tire os meus irmãos e irmãs (sou descendente de bugre com italiana) da miséria, do descaso, do desprezo, do abandono!! Encontre uma Lei que os defenda DE UMA VEZ POR TODAS, e que nada e nem ninguém derrube a derrube, se é que ela existe!! Não suporto mais ver o Povo Indígena ser EXTINTO aos poucos!! Faça algo grande por todos eles, com EXTREMA URGÊNCIA!! O senhor é advogado, seja um herói. Com todo o respeito que lhe devo, não me venha dizer que “medidas estão sendo tomadas”, pois eu sei que não estão, e jamais estarão!! Um abraço.

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