Morreu ontem em Brasília o ex-senador Áureo Macedo Bringel Viveiros de Mello,  filho de Hugo Viveiros de Melo e de Elvira Bringel de Meio. Áureo Mello, nasceu na localidade de Santo Antônio do Madeira, que chegou a ser município do estado do Mato Grosso e depois foi incorporado a Porto Velho. Áureo era poeta, advogado, jornalista, pintor, chargista, político e, após residir em Guajará-Mirim, veio estudar em Manaus, onde graduou-se em Direito pela UFAM em 1945, atuando como advogado e depois como auxiliar, escrevente e oficial da secretaria do Tribunal de Justiça do Estado. Na capital amazonense foi funcionário fundador do jornal A Crítica e trabalhou no Diário da Tarde, no Jornal do Comércio, bem como na Rádio Baré.

Como escritor

Áureo publicou, entre outros, os livros: Luzes tristes(1945), Claro-escuro (1948),  Presença do estudante Inhuc Cambaxirra,  As aureonaves(1985), Inspiração (1989),  O muito bom sozinho(2000),  Como se eu fosse um cantador(1999), Onde está Gepeto?(1999), Heliotrópios adamantinos lácteos: suco de estrelas(2004).

“Áureo vem de uma tradição poética marcada pelo metro e rima. Régua e esquadro riscando curvas que se transfiguram em ‘suco de estrelas’. A lira do delírio, quase, num majestoso encontro do rio com o mar, denunciando as profusões amazônicas da criação e destruição. Verdadeira pororoca desafiando. A ponta da lança, atingindo a memória e explodindo na mais nova galáxia do planisfério da invenção. Desfiando as memórias do Rio Guaporé, por exemplo, em tantos sonetos. Alexandrinos alguns, amorosos cristalinos, ‘de bubuia’, a flutuar sobre as águas da poesia, esplendendo alegria de menino ‘numas conversas de Áureo e passarinho.’    DONALDO MELLO

Vida política

Encerrado o Estado Novo houve eleições gerais em 1945 e nessa ocasião Áureo Mello fundou o PTB no Amazonas e foi eleito deputado estadual em 1947 participando da Assembleia Estadual Constituinte sendo reeleito em 1950. No pleito de 1954 foi eleito  deputado federal e assumiu a secretaria-geral da Liga de Emancipação Nacional (LEN), fechada em junho de 1955 por JK,  sob acusação de infiltração  comunista. A seguir ingressou na Frente Parlamentar Nacionalista (FPN), não se reelegendo em 1958. Nos anos seguintes (1959-1983) foi procurador de órgãos que precederam o atual Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária.

Por divergências com o PTB  do Amazonas transferiu o domicílio eleitoral para o Rio de Janeiro onde trabalhou em jornais como: A Tarde, Diário Carioca, Gazeta de Notícias e O Jornal. Eleito suplente de deputado federal em 1962 pela Guanabara, foi efetivado após a cassação de parlamentares devido ao AI-1, baixado pelos militares após a deposição de João Goulart. Filiado ao MDB não se reelegeu em 1966 e foi suplente também em 1978 quando retornou ao Amazonas.

Eleito segundo suplente do senador Fábio Lucena pelo PMDB  em 1982, foi assessor da Câmara de Municipal de Manaus a partir de 1984. Às vésperas do pleito de 1986 tanto Lucena quanto Mello renunciaram com o fito de garantir a Gilberto Mestrinho um mandato de senador em eleição suplementar, contudo a recusa de Leopoldo Peres em participar da manobra política, malogrou o intento. Assim, Peres foi efetivado e Lucena foi “reeleito” naquele ano, tendo Mello como primeiro suplente.

Áureo Mello foi efetivado em 18 de junho de 1987, após o suicídio de Fábio Lucena e participou da Assembleia Nacional Constituinte que elaborou a CF-88 e logo após a eleição de Fernando Collor para presidente em 1989, ingressou no PRN e foi um dos poucos a votar contra o impeachment do presidente na sessão de julgamento ocorrida em 29 de dezembro de 1992.

Em 1994 não disputou um novo mandato preferindo retornar ao Rio de Janeiro onde foi candidato a vereador pelo PTB em 1996, mas não foi eleito.

Precedido por
Fábio Lucena
Senador pelo Amazonas
19871995
Sucedido por
Bernardo Cabral

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