Por Silvio da Costa Bríngel Batista

Quando eu era criança entrava no quarto do meu pai, deitava na cama, colocava minha cabeça em seu braço e pedia: – “pai, conta aquela história ….”. Várias foram as histórias do “seu interior” (onde nasceu) e várias foram as “estórias” do imaginário popular que ele me contou. Uma delas ficou marcada até hoje e me ensinou algo que ajudou a forjar meu caráter. Foi a estória da “cotia e o macaco”:

– Era o tempo que os bichos falavam, o macaco e a cotia eram grandes amigos. A cotia, assim como o macaco, tinha rabo grande, bonito, vistoso. Costumavam conversar no quentinho dos trilhos de uma linha de trem que passava pela mata onde moravam. Sentavam e jogavam conversa fora. A cotia, doida pela vida alheia, vivia chamando atenção do macaco; – “Amigo macaco, cuidado com seu rabo no trilho. O trem pode passar e pegar”. E insistia, dia-a-dia. Um dia veio o trem e a cotia, de tão preocupada com o rabo do macaco esqueceu-se do dela, o trem veio e cortou.

Esta é a “estória” que hoje denominei de “síndrome da cotia”, ou seja, as pessoas se preocupam mais com a vida dos outros do que com as suas (negativamente), pois não se preocupam em ter uma família estabilizada, mas preferem destruir as dos outros; não buscam o aprendizado, mas ridicularizam os que se esmeram no saber; não estão satisfeitas com nada que possuem, mas buscam alcançar os bens dos outros; não se preocupam em ter melhores salários e empregos, mas invejam os que têm. E daí? E daí que se desenvolve a inveja, o orgulho, a avareza, o menosprezo, o egocentrismo e até, hordienamente, o famigerado bullying. Tudo isto, porque os pais não tiveram a paciência de repetir, repetir e repetir a “estória” da cutia e o macaco.

Silvio, Fernando e Syene Batista
Silvio, Fernando e Syene Batista na chegada à Igreja Batista de Cachoeirinha

Na minha infância meu pai foi diferente, um cristão convicto, não deixou de observar o que dizia a bíblia, “Tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te e ao levantar-te.” (Dt 6.7). Jamais perdeu uma chance de nos ensinar o certo, pela bíblia, “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho não se desviará dele.” (Pv 22.6).

É só olharmos quantos jovens envolvidos com as drogas, marginalidade, prostituição e suicídios para sabermos o quanto o mundo vem se degenerando e o quanto devemos agradecer a Deus pelos nossos pais.

O apóstolo Paulo já advertia em sua época: “Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te. Porque deste número são os que se introduzem pelas casas, e levam cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências; Que aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade” (2Tm 3.1-7).

Criança Silvio Batista
Silvio Batista – Pajem em casamento na Igreja Batista de Cachoeirinha

Não fui uma criança fácil de lidar! Muitas foram as reações explosivas, sem domínio próprio e difícil de levar desaforo pra casa, por isso, sou verdadeiramente grato pelos ensinamentos, pelos sermões, pelos castigos, pelas palmadas, pelas cinturãozadas, mas, principalmente, pelos exemplos, que são valiosíssimos (“A estultícia está ligada ao coração da criança; mas a vara da disciplina a afastará dela” – Provérbios 22:15). Agradeço pelos agrados e principalmente pelos desagrados, pois, foi com eles, que eu pude ver que na vida, nem tudo é como a gente quer, por isso, aprendi a ter limites, a ser mais realista, sem deixar os sonhos.

Nossa família
Fernando, Terezinha, Silvio, Syrte e Syene Batista

Educar filhos é uma missão sublime e uma vocação Divina, por isso, neste dia dos pais, nós, eu, Syene e Syrte, agradecemos a Deus pelo pai que nos deu e pedimos à Deus que lhe abençoe sempre com muita saúde, juntamente com nossa mãe, dando-nos a alegria de tê-los por muito tempo ainda.

TE AMO PAPAI !

Silvio Batista

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