marcus alberto aleixo silvio batista
Silvio Batista, Alberto Aleixo, Marcus Albano e Rosival Cabral
Silvio Batista, Alberto Aleixo, Marcus Albano e Rosival Cabral

Por Silvio da Costa Bríngel Batista

Em 02 de dezembro de 2005, meu amigo Alberto Aleixo deixou nosso convívio. Dias antes estive em sua casa e em poucos minutos já sabia que “estava perto”, ele nos deixaria em pouco tempo.

Alberto Aleixo, enquanto em nosso convívio, sempre demonstrou sua humildade, desapego pelas coisas materiais, mas sua incessante luta pela valorização da amizade que construiu no decorrer de toda a sua vida, era o que mais nos impressionava. Aleixo demonstrava uma mente privilegiada que constantemente, sem desprezar o óbvio, verbalizava coisas impensáveis, mas resolutivas. Muitas vezes discordávamos, mas, com argumentos incontestáveis, nos fazia quedar às suas soluções críticas. Sim…, críticas, pois tinha um caráter essencialmente crítico.

Alberto Aleixo foi sempre uma pessoa que surpreendia, um advogado que sempre vislumbrava uma solução instintiva que nos driblava de forma desconcertante e depois sorria e dizia “aceito outro argumento”.

Alberto Aleixo era Procurador da Câmara Municipal de Manaus e quando faleceu ocupava o cargo de Diretor Geral na gestão Chico Preto (hoje Deputado Estadual). Eu, então Procurador Geral Adjunto daquele Poder Legislativo, fui “obrigado” a assumir a Direção Administrativa da Câmara e logo em seguida, fui promovido a Procurador de 1ª Classe, na vaga deixada pelo amigo/irmão.

No dia anterior ao seu falecimento, estive no Hospital e ele, já sem falar, olhou nos meus olhos, com olhos vidrados, afaguei sua cabeça e lhe falei bem perto do ouvido direito: “entrega teu caminho ao Senhor, confia nEle e o mais Ele fará” … “você conhece a verdade sobre Jesus, Ele conhece seus pensamentos, fala com Ele, entrega sua vida e diga-lhe que Ele é seu salvador”, quando levantei a cabeça, algumas lágrimas verteram dos seus olhos. Alberto se acalmou e deixou a agitação que lhe era comum nos últimos dias. Naquele momento, demos as mãos com as pessoas que estavam no apartamento, fizemos uma oração, me despedi e fui embora.

Quando sua esposa me ligou no dia 02/12/2005, antes de atender já “sabia” o que seria falado: “teu amigo se foi”. No mesmo instante pensei, jamais vou esquecer este dia, pois Alberto Aleixo nos deixou no mesmo dia em que minha filha faz aniversário. Assim, durante estes anos, neste dia, sempre me lembro dos momentos em que tive o privilégio de conviver com Alberto.

No dia do seu sepultamento, estávamos na Funerária Almir Neves quando minha cabeça esquentou e comecei a sangrar pelo nariz, uma enfermeira foi chamada, aferiu minha pressão e estava 25-14. Fui levado ao Prontocord pelo vereador então Leonel Feitoza e lá fiquei até a regularização da pressão, mas era tarde, não fui ao cemitério, pois me fizeram “desmaiar” no hospital.

A vida que originalmente nos liga as pessoas, um certo dia se esvai, foge do nosso convívio, por um processo do qual a ciência não conhece sequer os rudimentos. Da existência de Alberto Aleixo aqui, resta comigo o exemplo de amigo fiel e solidário, a saudade imensa, o eterno agradecimento, além do pesar por não poder abraçá-lo e partilhar juntos da alegria das muitas tarefas cumpridas, muitas delas, vislumbradas por ele.

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