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Nicácio da Silva*

“…a nossa raiz é negra, indígena e um pouco da branca, está expressa na figura materna de N. S. Aparecida, a Virgem Morena, a quem D. Pedro I, a caminho do Ipiranga, consagrou a nossa Independência”. Príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança

Quem no Brasil pode dizer que não possui sangue negro e que não possui uma descendência indígena? Acredito que ninguém, uma vez que nossa Pátria foi e é formada por uma grande mistura de raças, um povo cheio de vida, cores, sons e sabores. Por isso é dito que existem vários Brasis dentro do grande Brasil, isto é, a diversidade faz parte de nossa herança e de nossa cultura. É inegável que o país tem uma dívida histórica com negros e indígenas.

O findar de mais de trezentos anos de escravidão não azedou, como disse Joaquim Nabuco, o relacionamento do negro, do índio com o branco. Pelo contrário, foram assimilados com seus coloridos e alegrias, formando parte de um todo cultural multivariado. Promover uma divisão racial no Brasil é trazer do passado momentos de desconforto social, seria cometer um crime contra a nossa própria história.

O debate sobre as cotas raciais nas universidades chega a envergonhar, em vez de elevar o nível do ensino público, empurra candidatos despreparados para as faculdades e não reconhece seus méritos educacionais, ou seja, instaura clima de luta de classes. Sempre soube que a missão primordial de uma universidade é a transmissão do conhecimento e a pesquisa. Agora, transformá-la como meio de ascensão social é malsinar e empobrecer uma instituição criada na Idade Média.

O sistema de cota racial suscita o descredito social, já que especifica quem são negros, índios e brancos, fazendo uma segregação dessas raças o que é absolutamente inaceitável por vários princípios constitucionais, além de violarem de forma gritante os direitos fundamentais dos cidadãos, (Art. 3°, IV e art. 5° e 6° da Constituição Federativa do Brasil). Além do mais, eu acredito que seja muito fácil se inscrever como negro ou índio no vestibular, no entanto o difícil é se assumir como tal dentro da Universidade, já que lá dentro é fácil dizer: “Sou moreno ou sou pardo.”

Em nome de um igualitarismo abstrato, mas radical, que contradiz com o modo de ser do brasileiro, o sistema de cotas raciais está sendo empregado para garantir algumas vagas para os negros e índios e que almejam conseguir o seu lugar na sociedade através dos estudos e de uma profissão, e por outro lado, a cota impõe uma camisa de força à Universidade.

Alheios à realidade, notadamente, a intenção de garantir o ensino é o mínimo, já que o mesmo é assegurado pela nossa Constituição. O sistema alega querer favorecer os negros no Brasil. Mas o que é um negro? A classificação adotada pelo IBGE, “preto” (6,2%) e “pardo”39% da população, são tidos como negros. O Brasil tem atualmente a segunda maior população negra do mundo (atrás apenas da Nigéria). Mas como classificar o restante da população que tem origem nipônica, alemã, indígenas, italiana?

Percebemos que há uma regressão às classificações escravagistas por parte das ONGs e certos setores do governo mais comprometidos com tais organizações que incentivam, na verdade, uma política de divisão e ódio racial. Por fim, há que acrescentar que o sistema de cotas no Brasil, pode promover os mesmo frutos amargos que foram produzidos nos Estados Unidos nos anos 50-60 e em todos os outros países em que foi implantado o sistema de cotas, os resultados foram nefastos.

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